Sexta-feira, 05 de dezembro de 2008 - Por: Mateu Gomez

Seção correspondente: Ponto de Vista

A linguagem visual e seus elementos ideológicos

A linguagem visual é um recurso que consegue transmitir mais informações, mais rapidamente e é visualizada por mais pessoas. Ela tem o poder de mexer com o emocional, com as nossas fantasias, desejos e instintos e passam com incrível facilidade do real para o imaginário. As formas de representação e expressão que o homem pode realizar, são várias, e diante delas temos a comunicação não-verbal.

As pessoas são muito diferentes entre si, e diante disso, muitos fatores entram em questão quando o assunto é a interpretação de imagens. Fatores como cultura, sociedade, economia, educação, o meio em que vivem, seus valores e crenças, devem ser sempre considerados. A imagem é por si só, um elemento estético e ideológico ao mesmo tempo, e carrega essas características seja em qual área ou finalidade for utilizada.

Podemos dizer que o olho humano funciona como uma verdadeira janela que nos permite enxergar o mundo ao nosso redor e interagir das mais variadas formas possíveis, por conta de sua capacidade visual e interpretativa. Estudos demonstram que a familiaridade do leitor com a informação gráfica é um aspecto fundamental na compreensão de uma mensagem, principalmente quando direcionada para um público com pouca ou nenhuma experiência com a comunicação pictórica. Diante disso, podemos dizer que a leitura de imagens ou de mensagens visuais requer aprendizagem, e a sua compreensão será incerta até que o receptor (leitor) entenda o seu significado mediante a sua interpretação.

A leitura de imagens ou de mensagens visuais requer aprendizagem, e a compreensão de uma mensagem visual será relativamente incerta até que o receptor (leitor) entenda o seu significado mediante a sua interpretação. As pessoas são muito diferentes entre si, e diante disso, muitos fatores entram em questão quando o assunto é leitura e interpretação de imagens. Muitas vezes o leitor age com preconceito, fazendo leituras totalmente equivocadas com relação ao que vê, atitude que pode ser causada pelo despreparo do leitor para com a mensagem, ou a mensagem inapropriada e descontextualizada para o leitor.

Toda produção visual, possui sempre uma ideologia de quem a produziu; o artista/designer passa a ser o interpretador e criador dessas imagens. Podemos esquematizar a produção imagética da seguinte forma: uma certa pessoa com seus valores culturais cria uma imagem, em seguida essa imagem é direcionada para um público (pessoa/leitor) e por sua vez esse público a interpreta, de acordo com os seus valores. Assim tempos: pessoa - imagem - leitor (pessoa) - interpreta.

Com uso de estratégias e técnicas, o manipulador poderá dar ênfase em determinados elementos e minimizar outros. Imagem, cor, formas, efeitos, símbolos, são elementos que carregam em si, uma carga ideológica e expressiva, que por si só sugerem intenções. Um jornal inglês, certa vez se viu envolvido numa polêmica com a comunidade muçulmana, ao publicar caricaturas do profeta Maomé. A cultura muçulmana e a hebraica, proíbem a criação de imagens, considerando-a anti-religiosa e associando-a à adoração de falsos deuses.

A imagem precisa ser contextualizada de acordo com os códigos culturais, sociais, econômicos e étnicos, pois se não ocorrer essa condição ou o leitor não ter um conhecimento prévio, a mensagem não surtirá efeito algum. Poderá na maioria das vezes, gerar leituras depreciativas, carregadas de desinformação e preconceito.

O animal humano é por excelência um criador de imagens, e seja como for que essa criação se manifeste, ou quais forem os meios usados e as finalidades pretendidas, nunca deixará de sê-lo.

Mateu Gomez é graduado em Letras com Inglês pela Universidade Estadual de Feira de Santana, desenvolvedor web, ilustrador, dj e fotógrafo amador nas horas vagas. Atua de forma independente como consultor nas áreas de Design e Marketing digital.